Armandinha, a Melhor Jogadora de Futsal Feminino do Mundo

      30 OUT 2018
      30 de Outubro de 2018

      Alguns fenômenos surgem ao longo do tempo, outros, já mostram a que vieram logo cedo. Podemos entender que a Amandinha faz parte do segundo grupo citado. Afinal, aos 23 anos de idade e ter sido premiada quatro vezes seguidas como a Melhor Jogadora do Mundo de Futsal Feminino, só sendo prodígio mesmo.

      Em entrevista exclusiva, a camisa 10 e ala-direita do Leoas da Serra e da Seleção Brasileira de Futsal falou sobre o futsal feminino e seus planos futuros. “Infelizmente, a falta de recurso e visibilidade vêm fazendo com que nossas grandes peças migrem para a Europa”, apontou a jogadora.

      A trajetória de Amandinha até ser a Melhor do Mundo

      Natural de Fortaleza, Ceará, Amanda Lyssa de Oliveira Crisostomo jogava futebol nas quadras de seu bairro, Conjunto Ceará, desde cedo. Era com os meninos que ela brincava, já que não havia meninas na região que praticavam o futsal. A partir de então, ela foi se destacando e começou a disputar campeonatos com os meninos.

      Foi, então, descoberta por uma escola local que a ofereceu uma bolsa de estudos quando estava na quinta série. Durante uma competição intercolegial, recebeu uma nova proposta. Desta vez, se tratava de um colégio que disputava competições nacionais.

      Após figurar na Seleção Cearense de base, foi igualmente sondada, agora, por uma equipe que lhe proporcionaria maior visibilidade. Tratava-se do Barateiro Futsal, de Santa Catarina, clube que a ala defendeu de 2011 a 2016, conquistando 11 títulos. Destes, vale destacar o bicampeonato da Libertadores (2015 e 2016), assim como a Liga Nacional (2014) e o Campeonato Mundial Universitário (2016).

      Amandinha defende o Leoas da Serra desde 2016, clube pelo qual já conquistou a expressiva Copa do Brasil (2017). Ela também defende a Seleção Brasileira de Futsal, como também a Seleção Brasileira do Desporto Universitário. Até aqui, já foi tricampeã Mundial e campeã da Copa América (2017) com a seleção principal.

      Ela também foi bicampeã mundial da Liga Universitária, dentre outros. “É gratificante representar tantas meninas que sonham, porque elas enxergam em mim uma menininha, baixinha, mas que conseguiu conquistar seus objetivos”, ponderou a grande campeã, que mede 1,57 m. e pesa 48 kg.

      O cenário do futsal feminino no Brasil

      “O futsal feminino é um esporte que tende a crescer muito em nosso país, mas ainda perdemos muitas jogadoras para a Europa",  falou a melhor do mundo sobre o cenário nacional. E Amandinha continuou discorrendo sobre o assunto. “Infelizmente, isso é ruim para nosso país porque, elas indo, abaixa o nível aqui”, emendou.

      Sobre a diferença entre as competições de fora serem melhores do que as daqui, ela comentou. “Eu não digo de qualidade, mas de organização, lá é melhor com certeza. Elas têm as mesmas competições que o masculino. Por exemplo, na Espanha, tem a Copa da Espanha e o Campeonato Espanhol, então, todo domingo elas têm jogos", completou.

      Já sobre o cenário brasileiro, a atleta lamenta, inclusive, a desorganização, bem como  calendário. “A gente tem um calendário incerto. A gente fica a par de uma cidade ser cede de alguma coisa, a gente fica a par de uma prefeitura realizar uma competição... então é tudo muito incerto. Por isso que nosso país, infelizmente, ainda peca nessa organização”, conclui a jogadora.

      Todavia, ela não deixa de acreditar no futsal feminino do Brasil. “Mas, eu acredito no futsal brasileiro, principalmente por causa dessas competições da CBDU (Confederação Brasileira do Desporto Universitário) e da FISU (Federação Internacional do Esporte Universitário), que incentivam o futsal feminino e todo tipo de esporte, e isso nos faz acreditar”, selou Amandinha.

      Melhor do Mundo 4 vezes seguida

      É evidente que se trata de um fenômeno do futsal. Com a conquista do quarto título de Melhor do Mundo, Amandinha se isolou como a maior vencedora do prêmio individual. Sua antecessora é a brasileira Vanessa. Da mesma forma, ela havia conquistado os três títulos de Melhor do Mundo de maneira seguida (2010, 2011 e 2012).

      A talentosa esportista descreve os sentimentos de ser a Melhor do Mundo. “Para mim é um prazer imenso, principalmente por representar meu país mundo afora. É gratificante ter esse título. Todo mundo que vem falar comigo sabe a dificuldade que eu passei. O que eu mais gosto nesse título de Melhor do Mundo é poder ser um espelho para outras meninas também acreditarem que podem chegar lá” disse a brasileira.

      Mesmo com tantas conquistas ainda tão cedo, a jovem futebolista segue cheia de sonhos. “Meu principal objetivo hoje é me formar (na faculdade) e ver um futsal feminino mais valorizado, com maior visibilidade em nosso país. A gente conquistar um espaço na TV para que mais patrocinadores venham e o futsal feminino possa crescer ainda mais”, discursou otimista, ela que está cursando o último ano de fisioterapia em Santa Catarina.

      A menina-prodígio também nos confessou as dificuldades enfrentadas nesta trajetória até atingir o topo do mundo. “A minha maior dificuldade hoje é estar longe da minha família. Eu já estou no meu nono ano longe deles e isso pesa bastante, cada ano vai ficando mais difícil”, disse, emocionada, a atleta.

      Entretanto, ela espera compensar todo o esforço. “Meu irmãozinho está agora com sete anos e eu não posso estar participando da infância dele. Mas, eu espero um dia poder trazer eles para perto de mim para se tornar ainda mais completo isso que eu amo fazer, que é jogar futsal”, finalizou a melhor jogadora do futsal feminino mundial.

      Melhor do Mundo e agora tricampeã da Libertadores

      O mês de outubro ficará cravado na memória do time de futsal feminino Leoas da Serra. Estará igualmente marcado na trajetória do maior fenômeno do futsal feminino, chamado Amandinha. Isso porque, foi no dia 16 deste mês que a Melhor do Mundo também se sagrou tricampeã da Libertadores.

      A decisão da taça Libertadores da América de Futsal Feminino aconteceu em Assunção, Paraguai. A equipe de Lages (SC) bateu as donas da casa, do Sport Colonial, por 4 a 0 e conquistaram sua primeira Liberta.

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