ESPN faz reportagem sobre professor de Luta Olímpica de Garanhuns que está sob ameaça de morte

      21 ABR 2018
      21 de Abril de 2018
      Confira abaixo a reportagem na integra da ESPN:

      Não é de hoje que os canais ESPN acompanham a batalha de atletas, técnicos, professores e seus familiares na busca de um esporte transparente, honesto e democrático. São reportagens que denunciam as mazelas dos “coronéis. Daqueles que se intitulam "donos do esporte a qualquer preço”. É uma luta quase em vão para transformar, definitivamente, a vida de milhares de crianças e adolescentes abandonados no nosso país.

      A atual situação era, em tese, até para ser melhor depois dos Jogos Olímpicos realizados em terras brasileiras, mas não. Os Jogos do Rio, em vez de deixarem um legado deixaram um “largado”, um mar de corrupção, de falta de planejamento e de abandono das grandes instalações construídas, super-faturadas, que hoje não servem para nada. Era para ser diferente depois que vários dirigentes do esporte brasileiro foram afastados e presos por usarem o esporte para enriquecerem.

      A verdade é que o esporte olímpico brasileiro continua dando passos largos em busca do retrocesso. E o que se continua vendo são dirigentes-coronéis que mandam e desmandam, desde os esportes profissionais até os amadores. São homens que chegam ao poder, se perpetuam agindo como se fossem senhores feudais. Imbuídos na intenção de destruir, brincar e manipular sonhos. São coronéis que se apoderam de entidades esportivas para ganhar dinheiro em vez de desenvolver as modalidades tão necessitadas de apoio e de gente comprometida em desenvolver aptidões e, enfim, dar vida e uma saída digna àqueles que jamais teriam uma oportunidade no nosso país.

      Um esporte que deveria ser tratado com seriedade, por gente capaz de ajudar a salvar vidas em um país que, cada vez mais, abandona a educação e o esporte como ferramentas fundamentais de transformação de uma nação.

      Mas, por incrível que pareça, tem gente disposta a acabar com esse coronelismo que toma conta dos esportes olímpicos. O professor Elisson Dantas é um deles. Trabalha arduamente, desde 2012 para salvar, enaltecer e transformar um dos esportes mais desprezados e esquecidos do calendário olímpico do Brasil, a Luta Olímpica, mais conhecida no mundo afora como Wrestling.

      Assim como o atletismo e o boxe, a luta olímpica é um dos esportes mais democráticos e acessíveis do planeta, já que não é preciso ter equipamentos sofisticados e grandes estruturas de ponta para a iniciação e desenvolvimento desse esporte.

      E é de lá, onde o esporte é ainda mais esquecido e inacessível, no interior de Pernambuco, que nos chega uma das denúncias mais graves envolvendo o pobre esporte e um pobre, mas bravo professor que ainda luta por ele. A denúncia vem de Elisson Dantas, que há um mês foi à delegacia de polícia para registrar um boletim de ocorrência contra o presidente da federação pernambucana de lutas.

      Elisson nos procurou porque, segundo ele, teria recebido uma suposta ameaça de morte do presidente Álvaro Igor Fernandes de Morais. Por Skype, o professor de luta de Garanhuns explicou o caso.

      A prova da ameaça

      O aviso foi dado a um ex-atleta da federação (FPLA), em um encontro que teve com o presidente da entidade em um shopping da capital Recife. O áudio, gravado e devidamente autorizado pelo acusador, apresenta fortes indícios de ameaças a vida do professor Elisson. Um retrato de como os dirigentes do esporte brasileiro agem quando encontram pela frente alguém que os afronte, ou os questione sobre as condutas ou a falta delas nas administrações de suas entidades.

      A conversa gravada, que vem a seguir, traduz o verdadeiro faroeste caboclo no qual o esporte olímpico brasileiro está mergulhado.

      Elisson sem medo

      Assim que o professor Elisson recebeu a gravação da suposta ameaça, acionou à delegacia de polícia de Garanhuns para registrar um boletim de ocorrência. Ele sabe que no interior do nordeste existem muitos pistoleiros, mas ele não se rende às ameaças. Promete ir até o fim dessa luta que ele mesmo chama: “Uma luta olímpica e brasileira por um esporte mais limpo, honesto e democrático.” Foi à polícia com a preocupação de proteger as vidas de sua esposa e de seus filhos. Abaixo o boletim de ocorrência registrado pelo professor Elisson Dantas.

      Ameaças e exclusão de atletas

      A vida de Elisson na luta olímpica se tornou um verdadeiro inferno desde quando começou a questionar a administração da FPLA (Federação Pernambucana de Lutas Associadas). Sua situação piorou ainda mais quando levou à justiça documentos que caracterizariam corrupção na entidade. No meio dessa briga sobram os atletas do professor que, em muitas ocasiões são proibidos de disputarem campeonatos regionais, brasileiro e internacionais.

      Por causa desse imbróglio, o professor acaba gastando o pouco de verba que tem para pagar advogados na tentativa de colocar seus atletas nas competições. Para ouvir o lado do do acusado entramos em contato com o presidente da federação.

      Foram várias ligações telefônicas realizadas e o dirigente não atendeu aos chamados. Por último enviamos uma mensagem, via whatsapp, ao presidente da entidade, Álvaro Morais. Ele visualizou o texto no qual oferecemos o direito de resposta e, mais uma vez ele não respondeu. Preferiu copiar o texto enviado a um grupo de Whatsapp, do qual participam todos os presidentes de federações de luta olímpica do Brasil.

      Obtivemos acesso à republicação enviada por nossa reportagem que ele reenviou ao grupo de dirigentes. Leia a seguir.

      Uma vida de Lutas

      Ao contrário do presidente que fugiu da reportagem sem se incomodar em se defender, o professor Elisson dá a cara para bater. Provavelmente tenha aprendido a ser um samurai e defensor do esporte desde os tempos em que veio, ainda adolescente para o interior de São Paulo para aprender e aperfeiçoar judô com o sensei Umakakeba. Ali em Bastos, Elisson aprendeu a verdadeira essência do compromisso, respeito e dedicação ao esporte. Morou nos Estados Unidos onde treinou, se formou e migrou do judô para o Wrestling.

      Depois de formado na Universidade de Oklahoma, retornou ao Brasil, mais exatamente para a sua cidade natal, Garanhuns, para fundar a WEFA (Wrestling and Education For All, em tradução Luta e educação para todos).

      A missão principal da Associação comandada pelo professor Elisson é tirar das ruas as crianças e adolescentes de comunidades carentes e introduzi-los no mundo da luta olímpica. Nesses últimos anos, Elisson e sua turma conseguiu ótimos resultados, lançando para o esporte meninos e meninas com um tremendo potencial para representar o estado e o país em torneios nacionais e internacionais.

      Tirando das ruas crianças em estado do mundo do crime que encontram no esporte a chance da sobrevivência digna. Hoje. muitos já alcançaram resultados expressivos nas categorias de base do Wrestling nacional e muitos conquistaram bolsas atletas que, além de ajudá-los a se manter no esporte, também ajudam em casa no orçamento de suas famílias.

      Diante disso, Elisson só gostaria de ter seu trabalho esportivo-social reconhecido e espalhado por todo o estado de Pernambuco. Segundo o professor, ele só gostaria de trabalhar em paz.

      Apesar de você...

      Como a própria letra da música de Chico Buarque diz, ”apesar de você amanhã há de ser um novo dia”, assim o professor segue tocando a vida, ao pé da letra. Promete não desistir de tentar mudar esse sistema falido e corrupto de administrar o esporte. Ao contrário do que muitos poderão imaginar ao ler essa reportagem, o professor Elisson não é rico.

      Para sustentar a família e muitas vezes ajudar seus alunos, o pernambucano trabalha comercializando maracujá e granola nas feiras e mercados da cidade. Por esse e outros motivos, Elisson seguirá servindo às crianças por intermédio dessa ferramenta poderosíssima de transformação de vidas chamada esporte. O professor da luta nordestina sabe que a missão é muito difícil, pois o modelo de gestão do esporte brasileiro está cercado de ratazanas que, definitivamente não querem a evolução dos novos e velhos atletas. É uma luta diária contra aqueles que são contra todo e qualquer tipo de trabalho social.

      Elisson promete carregar essa bandeira até o fim de sua vida. Uma bandeira muito parecida com a da vereadora Marielle Franco, morta brutalmente por defender o povo, por denunciar os mais variados crimes contra os menos favorecidos, uma ativista social que lutou toda uma vida para dar oportunidades àqueles que nunca tiveram direito a nada.

      Existem muitas semelhanças nas lutas de Marielle e Elisson. Uma das únicas coisas que os diferencia é que Marielle foi morta sem aviso. Já o professor Elisson, espera, no mínimo, o respaldo de uma Justiça que muitas vezes tarda e falha em nosso país.

      A corrupção na luta olímpica paulista

      Não é apenas no nordestes brasileiro que a corrupção e o coronelismo tomam conta do esporte. Em São Paulo, no estado que “teoricamente” tem o esporte mais rico do Brasil a situação é vexatória, como a reportagem dos canais ESPN apresentou logo após o fim dos Jogos Olímpicos do Rio 2016.

      Abaixo o link da reportagem na ESPN:

      http://www.espn.com.br/artigo/_/id/4210754/um-professor-de-luta-olimpica-sob-ameaca-de-morte

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