Globo Esporte/SportTV fez matéria sobre Luta Olímpica  na WEFA Garanhuns

    24 OUT 2017
    24 de Outubro de 2017

    Você é adolescente e mora em Garanhuns ou em outra cidade. Descobriu uma modalidade esportiva que pouca gente pratica na região. E pra treinar, usa um uniforme até então desconhecido na cidade.

    - Perguntavam se eu dançava balé. Eu dizia: não, pratico luta.

    Luciano Silva, de dezenove anos perdeu as contas de quantas vezes usou essa defesa pra espantar os engraçadinhos de Garanhuns, cidade localizada no interior de Pernambuco. A luta que ele pratica é o westling, a luta olímpica. Campeão no brasileiro júnior deste ano até o ano passado morava num abrigo para órfãos.

    O convite para integrar a equipe de luta da cidade partiu do treinador Elison Dantas.

    - Luciano foi um menino que nós achamos e que chegou a viver num abrigo. O encontramos e treinamos. Hoje em dia é o maior exemplo que nós temos porque estuda muito, é uma pessoa extremamente servidora. Hoje em dia é o numero um do Brasil na greco (luta greco-romana) e número dois no estilo livre (categoria até 54kg).

    A luta olímpica se divide em duas modalidades. A grego-romana em que é possível atacar apenas da cintura para cima e a estilo livre em que até as pernas podem ser alvos. A vida do treinador também é dividida. Entre duas nações. Elison nasceu em Garanhuns, agreste de Pernambuco, a 230km do Recife. Aos vinte anos se mudou para os Estados Unidos e se formou na Universidade de Oklahoma. Lá aprendeu as regras e a prática do esporte.

    Na volta ao Brasil criou uma associação com nome gringo. A Wrestling and Education for All (WEFA). Luta Olímpica e Educação para Todos, numa tradução que ele nem faz questão que seja feita. E ele tem uma ótima explicação para essa preferencia da pronuncia estrangeira.

    "Uma coisa importante de colocar Wrestling é porque nós temos parcerias nos Estados Unidos e já recebemos mais de cem sapatilhas pra doação aqui nesses quatro anos. Então a gente precisa ser um pouco mais universal pra conseguir essas parcerias fora", disse Elison.

    Parcerias que ajudam a pagar o aluguel e as despesas da academia que funciona desde 2013. O lugar virou referencia na região e tem outros medalhistas nos brasileiros junior e cadete. A potiguar Rose Brito, de vinte anos, é bicampeã brasileira e este ano foi promovida para a seleção sênior. Para chegar ao novo patamar, trocou o calor de Natal, no Rio Grande do Norte, pelo friozinho de Garanhuns.

    - É muito diferente, aqui faz muito frio e lá é muito quente. Mas é bom para treinar - disse Rose.

    Ela tem trabalhado tão forte que há um ano mora no centro de treinamento da WEFA. Mas para os alunos do professor Elison, tão importante quanto os treinos, são os estudos. Ninguém precisa pagar para estar no grupo, mas um bom desempenho na escola é o bilhete de entrada.

    - A gente pega no pé nas notas de todo mundo, porque não adianta ser medalhista, conseguir uma Bolsa Atleta (programa de incentivo financeiro do Governo Federal)... Amanhã perde uma Bolsa Atleta, a medalha passa, mas vai ser o quê? Tem que ter uma universidade, tem que ter um curso universitário, alguma coisa, tem que fazer a diferença.

    Diferenças são tão respeitadas na academia que abrem espaço para o inusitado. Um aluno nota dez, daqueles apaixonados por séries de TV, livros e cálculos teria chance nesse universo? Claro que sim! Klívia Ramos, de catorze anos, medalha de bronze nos Jogos Escolares da Juventude, já sabia sobre a emoção de um pódio antes de disputar o campeonato em Curitiba. Em 2015 foi vice-campeã na olimpíada de matemática de Pernambuco. Nerd raiz, na opinião do treinador. Apenas mais uma atleta, na opinião dela.

    - Não se trata só de ser inteligente ou não, ou gostar muito de matemática ou não. Quando você gosta realmente de uma coisa, as outras coisas são fúteis, sabe? Não importam tanto. Como gostar de matemática, como gostar de ler livros, como gostar de lutar... - falou Clívia.

    Manoela Lopes, que também tem 14 anos, foi medalha de prata em Curitiba. O desempenho nos jogos escolares foi legal, mas, é menos importante que o real motivo dela ter entrado nessa: o amor pelo esporte.

    "Porque é muito bom a gente ser atleta, mas também é muito bom estar com essa familia da gente", revelou Manoela.

    Uma nova família que ajuda a combater todo tipo de preconceito. Da roupa ao modo de se comportar. Pros meninos de Garanhuns todo dia é dia de luta. E unidos fica mais fácil de ganhar.

    Fonte: GE

    Equipe durante treinamento com o professor Elison Dantas

    Luciano não deu bola para preconceito e é um dos destaques da equipe

    Vytor Augusto - foi Campeão Brasileiro na categoria Livre até 76kg no Rio de Janeiro em junho/2017 e também vai pro Rio disputar o Brasileiro

    Rose Brito - Campeão Brasileira e está indo para o Sul Americano representar o Brasil agora em novembro

    Klívia Ramos é destaque nos estudos e na luta - Medalha de Bronze no Jogos Escolares da Juventude em Curitiba em setembro/2017

    Emanuela Lopes - Medalha de Prata nos Jogos Escolares da Juventude em Curitiba - Setembro/2017

    Elison Dantas - Diretor Executivo e Professor da WEFA

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